Vacina contra Covid-19 e infertilidade

Como medida de contenção do vírus, estima-se que mais de 10,4 bilhões de doses da vacina já tenham sido aplicadas em todo o mundo. Entretanto, uma dúvida para quem tem o desejo de ter filhos surgiu: a vacina influencia na fertilidade ou nos tratamentos de reprodução assistida?

De acordo com dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), a Covid-19
provocou mais de 5 milhões e 800 mil mortes desde o início da pandemia em 2019 e mais de
413 milhões de pessoas no mundo já contraíram a doença. Como medida de contenção do
vírus, estima-se que mais de 10,4 bilhões de doses da vacina já tenham sido aplicadas em todo
o mundo. Entretanto, uma dúvida para quem tem o desejo de ter filhos surgiu: a vacina
influencia na fertilidade ou nos tratamentos de reprodução assistida?

Vários estudos científicos tem demonstrado que o Sars-CoV-2, que é o vírus causador da
Covid-19, não consegue penetrar nem no óvulo, nem no espermatozoide e muito menos no
embrião, na sua fase inicial de evolução. Isso acontece pelo fato de que essas estruturas não
têm os mecanismos que permitem a penetração do vírus. Por isso, não se proibiu as pessoas
de tentar engravidar de maneira espontânea durante a pandemia.

Um estudo recente publicado pela revista científica Obstetrics & Gynecology, também
apontou que a vacinação não afeta os tratamentos de fertilidade. A equipe do Hospital Mount
Sinai, em Nova Iorque (EUA), comparou as taxas de fertilização, gravidez e aborto prematuro
nos pacientes de fertilização in vitro que receberam duas doses das vacinas Pfizer ou Moderna.
Os resultados foram iguais aos das mulheres não vacinadas.

A pesquisa também não encontrou diferenças significativas na resposta à estimulação ovárica,
qualidade dos óvulos, desenvolvimento embrionário ou resultados da gravidez entre pacientes
vacinadas e não vacinadas. Os pacientes-alvo do estudo receberam os tratamentos entre
fevereiro e setembro de 2021.

Entretanto, tem chamado a atenção as alterações causadas pela contaminação do vírus em si.
Os dados científicos demonstram que os homens que tiveram Covid-19 podem ter graus
variados de alterações no sêmen. Inclusive, já foi observado até a ausência de
espermatozoides em homens que tiveram a doença de forma muito grave.

No caso das mulheres que contraíram o coronavírus, particularmente em casos graves, a
qualidade dos óvulos também pode ficar temporariamente comprometida e resultar em
embriões de má qualidade. Daí a recomendação de vacinar mulheres que tem o desejo de
engravidar e de se aguardar 1 mês entre o término dos sintomas e o início de um tratamento
visando o engravidar. A vacina pode reduzir esses riscos tanto para mulheres quanto para os
homens.

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